Como tratar acne na idade adulta

06/09/2013


Especialistas estimam que um em cada dez adultos padeça com a acne, problema mais associado à faixa etária teen, que vive em um turbilhão hormonal. Acontece que, nesse pessoal mais velho e com muitas espinhas, os hormônios continuam em ebulição. Não importa a idade, a lesão de pele começa nos folículos, aqueles orifícios que abrigam a raiz dos pelos e glândulas sebáceas, responsáveis pela secreção da gordura que forma uma película protetora sobre a pele. "Só que, na acne, essas glândulas produzem sebo em excesso", explica o dermatologista Adilson Costa, da Pontifícia Universidade Católica de Campinas, no interior paulista. "Dessa forma, as bactérias que vivem normalmente sobre a pele se alimentam do material gorduroso, liberando toxinas que disparam uma inflamação", continua. Aí, como num campo minado, as espinhas eclodem, estampando o rosto com aqueles pontos avermelhados e doloridos.

 

 

Nos adultos, a genética tem lá suas pinceladas de culpa nesse fenômeno que derruba a autoestima de muita gente. "O DNA pode determinar uma glândula sebácea de tamanho exagerado e torná-la hiperativa", afirma a dermatologista Denise Steiner, de São Paulo. Pelo menos no time masculino, essa é a principal causa do problema. Sem falar nos anabolizantes a que muitos marombeiros recorrem indiscriminadamente para inflar os músculos e que, sim, interferem na oleosidade cutânea.

 

 

"Já nas mulheres, os genes costumam predispor à chamada síndrome dos ovários policísticos (SOP), que, como o próprio nome sugere, se caracteriza pela formação de cistos nesses órgãos", esclarece o endocrinologista Cristiano Barcellos, do Hospital das Clínicas de São Paulo. O distúrbio está associado a uma maior produção do hormônio masculino testosterona — que também está presente nelas em dosagens ínfimas e que, por sua vez, incita o folículo a liberar mais e mais sebo.

 

 

A acne se torna pior ainda se o indivíduo tiver resistência à insulina, quando esse hormônio não consegue queimar o açúcar circulante. O pâncreas tenta compensar essa situação liberando dosagens extras da substância. "A questão é que níveis altos de insulina levariam a uma maior fabricação de testosterona pelos ovários", diz Barcellos. Felizmente, a medicina traz novidades que prometem livrar o rosto desses adultos do visual de cacto.

 

 

Enfrentar o espelho e encarar as espinhas não é fácil. Mas hoje existem incontáveis opções de tratamento. E, para se somar às terapias já consagradas, surgem algumas boas alternativas, que foram anunciadas recentemente no Congresso Europeu de Dermatologia, na Alemanha. Em breve, devem ser adotadas por aqui. "Uma delas é a metformina, já empregada na reversão da resistência à insulina porque diminuiria a atividade da glândula sebácea", conta o dermatologista Marcelo Bellini, de São Paulo, que participou do evento.

 

 

Outra novidade é o acetato de ciproterona, um contraceptivo com efeito antioleosidade. Bellini também destaca a associação de uma substância chamada adapaleno com o peróxido de benzoíla. Esse composto atuaria na redução dos poros, na esfoliação superficial da pele e no controle do sebo. No encontro da Alemanha, os cientistas também ressaltaram a eficácia da doxicilina, um antibiótico com efeito antiinflamatório, e do tazaroteno, derivado de vitamina A, que age na glândula sebácea, com a vantagem de provocar pouca irritação na pele.

 

 

Tratados os motivos, é hora de focar diretamente na acne. "Se ela for branda, receitamos substâncias tópicas como o ácido retinoico ou o salicílico, que desobstruem o folículo e renovam as células superficiais da pele", descreve a dermatologista Claudia Maia, da Sociedade Brasileira de Dermatologia, no Rio de Janeiro. Muitas vezes, é necessário associar um antibiótico oral para aniquilar as bactérias.

 

 

Quando nada disso funciona, o jeito é apelar para a famosa isotretinoína, campeã no nocaute às espinhas. "Ela diminui o tamanho da glândula sebácea, desentope os poros e breca a liberação de gordura", garante Denise. Mas atenção: o remédio é contraindicado em casos de gravidez, doenças do fígado e taxas de colesterol altas.

 

 

Fonte: Minha Vida



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