A confusão entre o diagnóstico de doenças psicológicas e físicas

11/11/2013


50% dos casos de depressão não são diagnosticados corretamente. Isso é dado da Organização Mundial da Saúde e mostra que não ocorre apenas com essa doença, mas também com transtornos de ansiedade, psicoses e outros problemas psiquiátricos. E um dos motivos é que muitos problemas de origem física podem apresentar sintomas semelhantes a essas doenças.

 

Justamente por isso, é função do psiquiatra fazer exames físicos em seus pacientes: "Se a alteração comportamental é secundária a um problema orgânico, é essa causa que tem uma prioridade de tratamento e não seguir isso pode colocar a vida da pessoa em risco", pondera o psiquiatra Rubens Fernandes, do Núcleo de Medicina Psicossomática e Psiquiatria do Hospital Israelita Albert Einstein. Até porque o problema original não é tratado e ainda o paciente se expõe aos efeitos colaterais dos medicamentos sem necessidade.

 

Pode parecer raro, mas são vários os quadros físicos que podem resultar em sintomas com aspectos psicológicos. Problemas endocrinológicos normalmente mexem não só com o nosso físico, como com a nossa mente. E o caso mais expressivo são as alterações na tireoide: o hipotireoidismo, em que os hormônios dessa glândula são produzidos em menor quantidade, e o hipertireoidismo, em que eles são feitos em maior escala. "É muito comum o primeiro quadro apresentar sintomas depressivos e ser confundido com uma depressão. O mesmo ocorre com o hipertireoidismo que pode levar a sintomas de ansiedade e confundir com uma doença psiquiátrica funcional como transtorno de pânico e transtorno de ansiedade generalizada", diferencia o psiquiatra, Edson Shiguemi Hirata, do Hospital Santa Cruz de São Paulo. Tanto que o normal, e indicado na Diretriz de Manejo do Hipotireoidismo, é que todos os pacientes com depressão façam o exame para diagnosticar seus níveis de hormônios tireoideanos, pois eles podem ter alguma alteração inclusive subclínica, ou seja, em que não há tanta variação nas taxas.

 

Quando o hormônio cortisol está em excesso no nosso corpo, temos como resultado alguns sintomas comportamentais. Isso ocorre porque a substância tem efeito agressivo sobre o cérebro. Os sinais podem ser tanto depressivos quanto ansiosos, com excesso de energia e pensamentos grandiosos, sintomas psicóticos, como alucinações visuais (típicas de quadros com causas orgânicas) e quebras de realidade, e depressivos, tais quais prostração e perda de energia.

 

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