Bebida e remédios podem causar impotência sexual?

10/02/2014


A impotência sexual, ou disfunção erétil, como chamam os médicos, é uma questão que assombra homens de todas as faixas etárias, desde a adolescência até a terceira idade. Feito entre novembro de 2002 e fevereiro de 2003, com 2.862 homens de 18 grandes cidades de todas as regiões do país, o Estudo da Vida Sexual do Brasileiro (EVSB), conduzido pela psiquiatra Carmita Abdo, apontou a prevalência de 45,1% de indivíduos com disfunção erétil (31,2% mínima, 12,2% moderada e 1,7% completa) no Brasil.

 

"Homens com impotência apresentaram comprometimento da autoestima, dos relacionamentos interpessoais, menos relações sexuais por semana, mais relações extraconjugais, queixas de falta de desejo sexual e ejaculação rápida", apontava a pesquisa.

 

Já uma pesquisa feita pela Durex Global Sex Survey e divulgada no dia 21 de janeiro deste ano mostrou que 62% dos homens relataram alguma dificuldade em manter a ereção.

 

Mitos como o de que "homem que é homem, nunca falha" ou de que homem tem de estar disposto para o sexo a qualquer momento, sob qualquer circunstância – corroborados ainda mais no Brasil, um país ainda essencialmente machista – levam muitos homens a deixarem de procurar ajuda quando o problema aparece – por vergonha ou medo do diagnóstico.

 

"Um homem leva, em média, dois anos para procurar ajuda após o surgimento do problema", diz o urologista Geraldo Faria, membro e ex-chefe do departamento de Andrologia e Medicina Sexual da Sociedade Brasileira de Urologia.

 

Procurar o médico, no entanto, é a atitude mais sensata a se ter neste momento: a impotência pode ser um indicativo, um "sintoma" silencioso de males maiores. "Hoje os médicos a consideram um marcador precoce de problemas cardiovasculares", fala o urologista Valter Javaroni, membro do departamento de sexualidade humana da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) e chefe do departamento de Andrologia da secção do Rio de Janeiro da mesma entidade.

 

Outro estudo, intitulado Projeto Avaliar, organizado por um grupo de pesquisadores brasileiros em parceria com uma indústria farmacêutica, apontou a relação entre impotência e doenças cardiovasculares. Entre homens que têm disfunção leve, a probabilidade de ocorrer este tipo de mal é de 6,5%, contra 2,9% entre os que não apresentam falhas na ereção. Nos pacientes com grau de disfunção severa, um em cada cinco também tem doenças cardiovasculares.

 

Para se chegar a esse resultado, a pesquisa contou com a ajuda de mais de 4.300 médicos de várias especialidades, que entrevistaram em seus consultórios 71.503 pacientes homens com 18 anos ou mais. O projeto foi realizado entre agosto de 2002 e janeiro de 2003, em 380 cidades brasileiras.

 

A relação existe porque o processo de ereção envolve essencialmente a circulação sanguínea. Quando o homem fica excitado, há dilatação das artérias do pênis, e os corpos cavernosos (par de estruturas parecidas com esponjas, que ficam no interior do pênis) se enchem de sangue. Esse mecanismo faz com que o órgão aumente de tamanho e fique rígido.

 

Cheio de sangue, ele acaba por comprimir e fechar as veias que ficam na periferia (e que seriam as responsáveis por levar o sangue para fora). Com o líquido aprisionado, a ereção é mantida.

 

Quando há problemas circulatórios, as veias ficam mais estreitas e bloqueadas pela gordura acumulada, impedindo que o sangue flua para o pênis de maneira normal. "Muitos pacientes que tiveram infarto do miocárdio ou derrame relatam ter tido falhas na ereção alguns anos antes da doença. Isso porque as artérias do pênis são muito finas e, portanto, acabam sendo as primeiras a entupir devido ao acúmulo gradativo de gordura", completa Faria.

 

Por isso, os fatores de risco para impotência são os mesmos que para as doenças do coração: hipertensão, diabetes, obesidade, colesterol alto, tabagismo e sedentarismo.

 

Fonte: UOL



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