Para especialistas, açúcar é o novo tabaco

30/05/2014


Segundo médicos e acadêmicos da Action on Sugar (em tradução livre, Ação sobre Açúcar), o açúcar é o novo tabaco. Simon Capewell, um dos integrantes instituição e da Universidade de Liverpool, Inglaterra, pede ao governo uma lei que obrigue empresas a colocar etiquetas de advertência sobre risco de obesidade, diabetes e cárie dentária em refrigerantes.

 

Capewell conta que um estudo europeu recente mostrou que adultos que bebiam mais do que uma lata de refrigerante por dia tinham risco 22% maior de desenvolver diabetes tipo 2 do que aqueles que bebiam menos de uma lata por mês. Cortar pela metade o consumo de bebidas açucaradas de adultos e crianças poderia significar redução de 50 a 100 calorias no consumo de energia em um dia, o que talvez estacaria ou reverteria os atuais aumentos de obesidade.

 

O profissional disse que um terço das crianças e dois terços dos adultos estão acima do peso ou obesas no Reino Unido. E acrescentou que pesquisas mostraram que 60% dos britânicos apoiariam advertências nas embalagens dos alimentos.

 

Naveed Sattar, da Universidade de Glasgow, Escócia, disse que há evidências de que bebidas açucaradas contribuem para o excesso de consumo de energia, obesidade e maior risco de diabetes. Nita Forouhi, da Universidade de Cambridge, Inglaterra, disse que “grandes problemas precisam de soluções ousadas.”

 

No entanto, o professor Tom Sanders, da Kings College London, Inglaterra, não concorda com as advertências nos refrigerantes. “A ingestão excessiva de bebidas açucaradas contribui para o ganho de peso em crianças. Mas o açúcar não é como o tabaco, não é viciante e não causa doença cardiovascular e câncer. As soluções de hidratação oral, que contêm açúcar, têm evitado milhares de mortes. Os riscos para a saúde dos jovens apresentados pelo fumo, álcool, drogas, sexo inseguro, tatuagens e piercings são muito maiores, uma etiqueta de advertência sobre refrigerantes sugere uma falta de perspectiva”, comentou.

 

Em janeiro, a Action on Sugar declarou que pediu que as empresas alimentícias reduzissem os níveis de açúcar em até 30% para evitar casos de obesidade, diabetes tipo 2, síndrome metabólica e esteatose hepática (acúmulo de gordura nas células do fígado). Mas alterações voluntárias não foram realizadas. A instituição declarou que o britânico, em média, consume 12 colheres de chá de açúcar por dia e alguns chegam a 46. A ingestão máxima recomendada pela Organização Mundial de Saúde é de 10, embora essa orientação seja susceptível a ser reduzida para metade.

 

Fonte: TERRA / Daily Mail



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