Risco de obesidade em crianças aumenta naquelas que tomam antibióticos antes dos 2 anos

30/09/2014


Um estudo americano publicado essa semana, alertou aos pais que as crianças que são tratadas com antibióticos de amplo espectro antes dos dois anos de idade enfrentam um risco maior de desenvolver obesidade infantil.

 

A pesquisa que foi publicada no Jornal Pediatrics, da JAMA (Associação Médica Americana), é a mais recente a encontrar um vínculo entre problemas de peso e antibióticos, que podem acabar com as infecções bacterianas, mas também afetam a benéfica microflora intestinal, que coloniza os intestinos.

 

Especialistas do Hospital Infantil da Filadélfia analisaram dados de saúde de quase 65 mil crianças, tratadas em clínicas de cuidados primários, entre 2001 e 2013. As incluídas no estudo foram acompanhadas por cinco anos.

 

Mais de dois terços das crianças estudadas foram expostas a antibióticos antes dos dois anos. O aumento do risco da obesidade variou entre 2% a 20% e foi observado, particularmente, em crianças que tinham sido tratadas com antibióticos quatro ou mais vezes aos 2 anos de idade.

 

Estes antibióticos de amplo espectro, usados para combater uma série de bactérias, também estão relacionados com o risco de problemas de peso na infância.

 

"Nenhuma associação foi vista entre obesidade e antibióticos de espectro reduzido" destacou o estudo, que descreveu o uso de antibióticos de amplo espectro em crianças abaixo dos dois anos como um fator de uma criança vir a desenvolver obesidade.

 

O estudo recomendou que diretrizes de tratamento para doenças pediátricas comuns exijam limites no uso de antibióticos e a preferência por medicações de espectro reduzido. A prescrição inadequada e o uso excessivo destes antibióticos de amplo espectro também foram relacionados com a emergência de cepas de bactérias resistentes a medicamentos.

 

Embora seja robusto, o estudo não foi capaz de considerar outras variáveis que contribuem para o risco de obesidade, inclusive dieta, prática de exercícios e histórico familiar de obesidade.

 

As descobertas garantiram que estudos futuros que poderiam levar em conta outros fatores que influenciam a flora intestinal, inclusive o uso de probióticos e amamentação, disse Molly Regelmann, professor assistente de pediatria da Escola de Medicina Icahn do hospital Monte Sinai, em Nova York.

 

Fonte: UOL



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