Dengue interfere na coagulação sanguínea

01/04/2016


Caracterizada por inflamação, queda do numero de plaquetas e desidratação, a dengue é uma doença transmitida pela picada do mosquito Aedes aegypti e desestabiliza a função de regulação de líquidos do corpo, seja pela febre constante ou seja pela perda de líquidos para fora dos vasos sanguíneos. A função hepática e renal também podem ficar transitoriamente comprometidas. A duração desse quadro vai de cinco a sete dias. Já a chikungunya apresenta características comuns a dengue, podendo acarretar em uma duração maior dos sintomas e também num comprometimento da condição geral do paciente.

 

Mas o que pode acontecer quando elas se instalam em portadores de doença cardíaca?

 

As doenças cardiovasculares se apresentam de varias formas. Então, podemos tentar diferenciar os pacientes de acordo com a forma de interação da sua doença. As pessoas que já tiveram infarto ou colocaram stent coronariano, bem como os que tem risco alto de enfartar (diabéticos, entre outros), têm indicação de usar aspirina e em alguns casos outros remédios que atrapalham o funcionamento das plaquetas. Alguns exemplos são o clopidogrel, presugrel, ticlopidina. A função destes é fazer com que em caso de ruptura de placa de gordura dentro da artéria coronária (o que precede o infarto) as plaquetas não se aglomerem e fechem a coronária por completo. O efeito destes remédios nas plaquetas podem chegar a sete dias.

 

Outras pessoas também têm necessidade de usar anticoagulantes para evitar formação de coágulos dentro do coração ou em válvulas protéticas, como as que têm fibrilação arterial, trombose venosa profunda, embolia pulmonar ou arritmia que permite formação de coágulos no átrio esquerdo e pode chegar ao cérebro. Estes anticoagulantes têm um efeito muito maior sobre a coagulação, o que como efeito adverso deixa a pessoa muito mais propensa a sangramentos.

 

Em resumo, muitas das pessoas com doenças cardíacas precisam utilizar anticoagulantes - ou seja, remédios que dificultam a coagulação do sangue e as deixam mais propensas a sangramentos - durante o seu tratamento. Isso, combinado com a dengue, que pode aumentar o risco de hemorragias, é um fator perigoso para o paciente.

 

Quando a dengue reduz as plaquetas, ou a possibilidade de sangramento maior foi facilitada pelos anticoagulantes, a pessoa se encontra em risco de hemorragia. Geralmente plaquetas abaixo de 100.000 sugerem cuidado com o uso de antiagregantes. Abaixo de 70.000 têm raras indicações de manutenção de medicação. Assim, o acompanhamento de plaquetas e a pesquisa e valorização de qualquer sangramento é mais importante nestes pacientes que na maioria.

 

Além disso, é preciso ter o cuidado para saber quando reiniciar as medicações (assim que as plaquetas subirem). O paciente não pode ficar desprotegido nesse momento, até porque muitos casos de infarto requerem intervenção percutânea (angioplastia) ou cirurgia cardíaca, que trazem risco aumentado se forem feitas nesse momento.

 

As vacinas e o diagnóstico precoce são a melhor oportunidade para pessoas com maior risco em caso de contagio. Em caso de suspeita de dengue, é interessante o diagnóstico precoce, mesmo que presuntivo, e acompanhamento rigoroso para evitar complicações.

 

Fonte: MINHA VIDA

 



Veja também